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Por dentro da busca da rugby inglesa por ganhos marginais com tecnologia

O responsável pela inovação da England Rugby, Duncan Locke, avalia ferramentas como óculos com luz intermitente, máscaras hipóxicas, drones e sensores para apoiar a preparação dos jogadores, ao mesmo tempo em que ressalta que a tecnologia é apenas um complemento ao treino e ao trabalho duro.

Por dentro da busca da rugby inglesa por ganhos marginais com tecnologia
Crédito da imagem: bbc.co.uk

A England Rugby está usando uma série de tecnologias de treino sob o comando de Duncan Locke, chefe de serviços de desempenho e inovação, para apoiar a preparação para partidas de alto nível. Entre os exemplos recentes estão os óculos com luz intermitente usados em exercícios de bola alta, o trabalho de simulação de altitude e ferramentas avançadas de monitoramento nos treinos.

Nos exercícios descritos, Immanuel Feyi-Waboso, Noah Caluori e Cadan Murley estiveram entre os jogadores que usaram os óculos, enquanto George Ford acompanhou a atividade do outro lado do campo. Locke afirmou que esses recursos servem para acelerar o processamento dos atletas e ajudá-los em uma área considerada importante do jogo aéreo.

O trabalho de Locke também inclui a triagem de novas tecnologias antes de levá-las ao uso diário. Ele disse ter analisado cerca de 60 soluções diferentes nos últimos dois anos e adotado apenas cinco ou seis. A lógica, segundo ele, é evitar gastar tempo e dinheiro em ferramentas que não tenham base sólida, custo razoável e impacto claro na resposta de desempenho que a equipe procura.

A preparação para o próximo jogo traz um desafio extra: a Inglaterra enfrenta a África do Sul no Ellis Park, em Joanesburgo, a 1.724 metros de altitude. Para tentar adaptar o grupo, a comissão utilizou máscaras hipóxicas em sessões intensas de bicicleta estacionária, simulando condições de mais de 3.000 metros.

A equipe também recorre a outros recursos para aprimorar a leitura de jogo e a organização coletiva. O treino passa a ser filmado por drones, enquanto sistemas de visão computacional ajudam a identificar e acompanhar jogadores automaticamente. Além disso, a equipe considera princípios de aprendizagem na educação para ajustar a forma como as mensagens dos treinadores chegam a atletas de idades diferentes.

Outro foco importante está na disponibilidade dos jogadores. A troca de dados entre clube e seleção permite monitorar a carga de trabalho e detectar quem pode precisar de descanso. Sensores sem fio de eletromiografia ajudam a acompanhar a recuperação muscular, e o rastreamento de membros, agora feito à beira do campo em iPads, busca corrigir possíveis desequilíbrios na técnica de sprint.

Locke também disse que algumas das tecnologias usadas pela Inglaterra não são divulgadas publicamente, na tentativa de preservar vantagem competitiva. Ainda assim, ele reconhece que inovações se espalham rápido e que a janela para implementar algo antes dos rivais costuma ser curta.

Do outro lado, Rassie Erasmus é citado como um técnico que já explorou soluções parecidas em criatividade e comunicação. Ele já usou luzes coloridas para se comunicar da cabine técnica com os jogadores em campo, criou uma interface chamada Outfox para ensaiar movimentações na tela e publicou imagens de atletas usando óculos de realidade virtual em treino.

Locke insiste que nenhuma dessas novidades vai revolucionar o rugby sozinha. Para ele, trata-se de ganhos marginais no estilo do ciclismo: ferramentas que apoiam as decisões dos treinadores e complementam o trabalho duro dos jogadores, sem substituir o básico da preparação.

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